Sansão e Dalila 1609 – pintor Rubens

Exposição de Arte, Todos os Assuntos — Por Dois Pensamentos - 05/04/2011 5:36 pm

Sansão e Dalila 1609 – pintor Rubens

Trata-se de uma pintura barroca que tem como principal característica estabelecer uma nova relação entre as figuras e o espaço em que aparecem. Ao mesmo tempo, explora ao máximo os volumes, as cores, a luminosidade, a fim de delimitar com maior nitidez a forma, por meio de violentos contrastes de luz e sombra. Sua iluminação é arbitrária, pretende mostrar ou esconder o que lhe convém.

O quadro do pintor Rubens retrata a cena da traição de Dalila ao entregar, aos soldados filisteus, seu amante Sansão, que, após uma provável noite de amor, adormece em seus braços. Ela permite a entrada do barbeiro que lhe corta os cabelos, onde reside toda sua força.

A tela é riquíssima em detalhes, acentuada pelo contraste entre luz e sombra, ou claro e escuro. Iluminam-se as figuras que se destacam em primeiro plano contra um fundo sombrio e quase indefinido. Cores fortes e excesso de detalhes também são uma preocupação do Barroco, percebidos com muita nitidez nas vestes de Dalila, na manta que cobre o corpo de Sansão, bem como na vestimenta da velha e no barbeiro.

Há muitos detalhes que compõem a obra como entalhes na madeira, cortina em forma de xale e tapete com estampa, além do tronco do jovem Sansão, músculos bem delineados indicativos de toda sua força. A jovem Dalila retratada com os seios à mostra, formas roliças e extravagantes, cabelos longos e vestes na cor vermelha, fazem aflorar no espectador toda a sensualidade que a cena quer transparecer. Sua juventude propositadamente está em contraste com a velha que está logo atrás e que segura uma vela, compactuando com a traição a que Sansão é submetido.

A figura da anciã traz à cena um contraste entre beleza e feiúra, juventude e velhice. Vestida com um simplório traje de tecido escuro e pesado, a figura grotesca da velha contrapõe uma jovem de traços delicados e roupas que conferem certo requinte nos tecidos brilhantes em vermelho, dourado e branco. Inocência e erotismo fazem do branco e vermelho um contraste de cores intencionais, o branco sempre símbolo de pureza e o vermelho, paixão e amor carnal.

Há um feixe de luz que escorre do cortinado à esquerda e incide diretamente sobre Dalila, revelando toda sua sensualidade, juventude e beleza física; num gesto de carinho, ela afaga o dorso de Sansão que se entrega inocentemente a um sono profundo.

O drama vivido por Dalila entre o amor de Sansão e a fidelidade à pátria tem a redenção divina na luz celestial que cai sobre ela, como para redimi-la e perdoá-la da traição.Essa luz divina, o acariciar e a seminudez trazem à tela a dualidade do sagrado e do profano, muito presentes nas telas e nos textos do século XVII.

A dramaticidade da cena, espetacularmente apresentada por Rubens, aparece em primeiro plano no cortinado roxo que, pesado e a princípio despretensioso, estabelece certo ar fúnebre, uma vez que a cor roxa sempre traz à lembrança tristeza e, às vezes, morte. O drama se intensifica com a entrada silenciosa dos soldados, tendo a sombra como cúmplice, que os esconde deixando transparecer apenas um pequeno feixe de luz para abrir caminho.

Sem dúvida, a tela reflete com muita propriedade aquele que foi um dos movimentos mais polêmicos da Literatura Brasileira.

Até breve!

Yvanize
yvanize@doispensamentos.com.br

 

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