China com olhos verdes

Todos os Assuntos, Todos os Pensamentos — Por - 09/06/2011 9:07 am

A China é um dos 141 países signatários do Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor em 2005, e em seu escopo estabelece metas de redução de gases poluentes ligados ao aquecimento global. Apesar de, à época ser o segundo país com maior emissão de gases poluentes do planeta, ficou livre do cumprimento de metas específicas por ser um país em desenvolvimento.

Sustentabilidade é um desafio num país como a China, que teve um crescimento de 11,9% de 2010. Hoje como o maior emissor de CO2 do mundo, vem adotando medidas com o propósito de reduzir o lançamento de gases causadores do efeito estufa. A motivação emerge da percepção de que os mercados futuros, especialmente os externos, exigirão tecnologias aliadas à qualidade de vida, menores emissões de poluentes atmosféricos, assim como maior eficiência na produção.

Com uma matriz energética baseada na queima de carvão, ou seja, com um índice de aproximadamente 83% de eletricidade gerada por termelétricas, e para cumprir o desafio de manter as altas taxas de crescimento econômico e ao mesmo tempo ser sustentável, o governo chinês, vem envergando esforços em todos os escalões para a diminuição do uso dessa energia suja e aumentar a utilização de energias renováveis girando em torno de 15% até 2020. 

Com vista no MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), a construção de usinas hidrelétricas vem ao longo desses anos ganhando fortes investimentos no país.  Três Gargantas (a maior usina hidrelétrica do mundo) produz 22,5 gigawatts e usinas no porte de Itaipu (segunda maior do mundo) com capacidade de produção de 14 gigawatts estão sendo construídas a cada dois anos.

Contando com a força do vento, a China tem se dedicado à exploração de energia eólica (energia do vento), sua segunda maior fonte de energia renovável. Com o desenvolvimento independentemente no país de usinas desse tipo, que podem ser utilizadas em terra, em alto-mar e em zonas entre marés, até o início de 2011 a capacidade instalada das pás gigantes representava 23% do total mundial de geração dessa forma de energia.

No que concerne ao uso das termelétricas, ainda sua maior fonte de energia, as sujas e ineficientes do passado, estão sendo substituídas pelas que usam a melhor tecnologia disponível no mercado, incluindo a captura e armazenamento de CO2. Até o ano passado haviam sido fechadas mais de 7 500 usinas obsoletas.

Dentro da campanha nacional chinesa para controlar a emissão de gases poluentes, o governo do país não apenas trabalha na renovação de sua forma de geração de energia, mas também tem atuado fortemente na busca de soluções para diminuir a poluição causada pelas metrópoles, com isso novas linhas de metrô estão sendo abertas e as cidades vêm ganhando ônibus de rápida circulação, a fim de minimizar a emissão de gases lançados por veículos, além disso, existem programas de plantios de árvores e as casas chinesas estão ganhando, em seus telhados, aquecedores solares de água.

Envolvida em uma enorme ambiguidade e podendo ser vista apenas como a campeã mundial de emissão de gases poluentes, ou de uma nação disposta a transformar-se em uma prodigiosa inovadora em direção ao desenvolvimento sustentável, lá vem à China, de maneira determinada, à moda oriental, movida pelo seu grande apetite de mercado com programas de eficiência diversos limpando seus ares, abocanhando novas fatias e de olhos bem abertos para o consumo consciente exigido pelos mercados.

Referencias Bibliográficas

FOGEL, Robert W. Economia: Retrato da Pujança. Exame CEO, São Paulo, v. 1, p. 21-30, junho 2010.

BREMMER, Ian. Geopolítica: O embate do século. Exame CEO, São Paulo, v. 1, p. 32-38, junho 2010.

LASH, Jonathan. Meio Ambiente: A China verde é sustentável? Exame CEO, São Paulo, v. 1, p. 48-60, junho 2010.

ALVES, José Luis. O Protocolo de Quioto e as políticas Ambientais Globais. Disponível em: <www.dpp.pt/pages/files/infor_inter_2001_I_III.pdf> Acesso em: 01 jun. 2011.

ABRANCHES, Sérgio. Porque devemos abandonar o Protocolo de Kyoto e almejar muito mais. Disponível em: <http://www.ecopolitica.com.br/2009/10/09/porque-devemos-abandonar-o-protocolo-de-kyoto-e-almejar-muito-mais/> Acesso em: 02 jun. 2011.

Florence
florence@doispensamentos.com.br

2 Comentários

  1. gilmar disse:

    E daí? Assistimos de camarote ou reagimos? Depois de tudo isso;… só nos faltam ver os tanques chineses e seus milhões de soldados, invadindo nossa Mãe Pátria adormecida com seus filhos sonolentos.Agradecendo aos céus por não serem extras terrestres, os invasores.

    • gilmar disse:

      É isso aí,os chineses perfilados e ordeiros,caminham em passos largos,peitos estufados e olhar fixo no horizonte com seu bilhão de habitantes e trilhões de verdinhas para investirem, dormem e acordam pensando em progredir-se

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