O juramento dos Horácios – 1784 – David

Exposição de Arte — Por - 28/10/2011 11:40 am

O juramento dos Horácios – 1784 – Jacques-Louis David  

Uma obra de arte deve agradar primeiramente os sentidos; a beleza atrai, conforta e aquece a alma. Transita com tranquilidade entre o sonho e a realidade, mas é sobretudo sedução, capacidade de atrair, encantar, fascinar.

Quando se traz para a consciência a experiência vivida, esse momento vai além da sensação, é quando se permite que a paixão se faça presente em pinceladas rápidas, fortes e seguras.

Assim fez Jacques-Louis David, pintor e democrata francês, que imitava a arte grega e romana para inspirar a nova república francesa. Esse foi o propósito neoclássico, figuras severas, exatas em primeiro plano sem profundidade de relevos, pinceladas suaves em composições simples, naturais e sólidas.

Sangue e lágrimas foi o que David, que, com o  talento para lidar com as dores de amor e com os dramas familiares, retratou nessa belíssima cena da história dos Horácios. Os três irmãos Horácios de Roma e os três irmãos Curiácios de Alba enfrentam-se numa luta em que o vencedor será quem sobreviver.

O próprio pai dos Horácios oferece seus filhos ao sacrifício pela pátria. Entretanto, a morte já rondava essa família de forma brutal, num misto de amor e patriotismo, pois Camila apaixonara-se por um dos Curiácios e com sua veste branca virginal antevê a morte do noivo.

Igualmente Sabina, a moça de azule marron chora a certeza da morte do irmão Curiácio ou do marido, um dos Horácios.Famílias que se unem pelo amor e se desfazem pela pátria; manifesto fraterno, união masculina, juramento de lealdade ao pai e à pátria.

A cena retratada pelo pintor mostra o momento anterior à luta; três arcos, três homens, três espadas, contornos retos e rígidos, uma capa cor de sangue nos ombros do pai, uma cena sombria, um juramento selado a Deus sob a luz divina, que desce e reflete nas espadas, símbolo de morte.

Nos braços estendidos, o compromisso firmado, na mão espalmada do pai a entrega a Deus de seu bem mais precioso, com a firmeza de um propósito que está muito além da vida. Irmãos unidos no abraço, uma veste vermelha no filho, que diferentemente do pai, denota paixão, um querer convicto, uma pureza de alma na capa branca que recobre o corpo.

Três pernas musculosas no mesmo compasso, num mesmo ideal; uma dança de vida e morte em contraste com a delicadeza e o sofrimento das mulheres.Formas em silhuetas suaves e que trazem no rosto a previsão do inevitável, marcadas pelo destino e pela lealdade. Choro contido, apóiam-se e se consolam, à mercê de um sentimento patriótico com o qual lutar é saber-se perdedor.

Um manto vermelho também está entre elas, o sangue ali representado e que se reflete no rubor das faces, mas que em breve lhes invadirá a alma.O vigor e o heroísmo dos irmãos em oposição à tristeza das mulheres; corpos fortes e formas curvas, a diferença entre o velho e o novo, entre o estilo grego austero e puro, que apela para a razão e a beleza feminina e sensual que agrada os sentidos.

Entre os arcos, o ideal neoclássico de David na defesa da razão sobre a emoção, pelo olhar de uma criança com medo, na evidência de um futuro sacrifício patriótico, abrandado pelo carinho e proteção de uma ama que chora.

Até breve…

Yvanize
yvanize@doispensamentos.com.br

0 Comentário

Você pode ser o primeiro a deixar um comentário.

Deixe um comentário